Penacova Atual

"Penacova é luz e penedia, com o que quer que seja de pirenaico, trazido às proporções da ternura e rusticidade portuguesa"

Terça-feira, 31 de Janeiro de 2012

Penacova e a República na Imprensa Local *

Da autoria de David Almeida e editado pela Câmara Municipal, foi apresentado no dia 5 de Outubro de 2011 o livro "Penacova e a República na Imprensa Local". O Jornal Nova Esperança publicou uma entrevista, procurando saber mais alguns pormenores sobre aquele trabalho historiográfico.

NE: Como surgiu a ideia de escrever e publicar esta obra?
DA: O gosto pela história conduziu-me há alguns anos atrás a consultar alguns jornais que se publicaram no concelho de Penacova no início do século passado. No contacto com essas fontes saiu reforçado o interesse pela história local, dado que nesses periódicos se encontram muitos episódios que retratam a vida social e política da época que coincidiu com os tempos conturbados da implantação da República. Em conversa ocasional com o Prof. Doutor Luís Reis Torgal falámos das comemorações do Centenário da República no nosso concelho e logo aí aquele historiador me convidou a participar num colóquio programado pela Câmara e que estava a estruturar na qualidade de membro do CEIS20, que é um Centro de Estudos da Universidade de Coimbra. O Colóquio teve lugar em Fevereiro passado, tendo a minha intervenção focado o republicanismo em Penacova. Daí surgiu então o incentivo, quer do Prof. Reis Torgal quer da Câmara, para que o tema ficasse registado em livro.
NE: O livro foi apresentado ao público no dia 5 de Outubro. Teve boa receptividade? Onde se pode adquirir?
DA: Creio que sim. A sessão de lançamento, integrada nas comemorações concelhias do 5 de Outubro, teve lugar na Sala Dr. Leitão Couto, na Biblioteca/Centro Cultural de Penacova e foi presidida pelo Senhor Presidente da Câmara. A apresentação da obra coube ao Prof. Reis Torgal que também escreveu o prefácio. A sala foi pequena para a assistência e até ao momento tenho recebido muitas mensagens de apreço por este trabalho. Dado que se tratou de uma edição da Câmara Municipal, com o apoio científico do CEIS20, encontra-se à venda quer no Posto de Turismo quer na Biblioteca, em Penacova. Não tenho qualquer interesse financeiro no assunto. O facto de poder partilhar, com o apoio da Câmara, este conjunto de elementos que considero importantes para a nossa identidade enquanto penacovenses já é muito gratificante.
NE: O Jornal de Penacova de 8 de Outubro de 1910 noticia o modo como foi aclamada a República em Penacova. O livro centra-se nesse acontecimento ou traz algo de menos conhecido dos penacovenses?
DE: Esse é um ponto importante, sim. Além do relato da imprensa local, o livro reproduz também o Auto de Aclamação, onde podemos ver as assinaturas de cerca de sessenta pessoas que no dia 7 (uma vez que no dia 6 a Câmara estava fechada e não havia livro de Actas) subscreveram aquele acontecimento vivido com entusiasmo em Penacova. De facto muitas pessoas de Penacova já conheciam tudo isso, mas considero que o livro apresenta elementos que eram menos conhecidos, como por exemplo, todo o movimento republicano anterior a 1910 que teve um episódio marcante em 1890, quando o pai de António José de Almeida se torna republicano e apresenta o pedido de demissão do cargo de Presidente da Câmara que então exercia. Outro acontecimento muito pouco conhecido é o grande comício que, em 1909, juntou 3000 pessoas em S. Pedro de Alva.
NE: E depois do 5 de Outubro? Há algum aspecto que gostaria de salientar?
DA: Há um aspecto que o livro contempla que é traçar alguns aspectos biográficos dos republicanos que mais se destacaram, quer antes, quer nos tempos que se seguiram, quer promovendo palestras e criando comissões republicanas locais, quer assumindo as rédeas dos poder a nível concelhio. Também o papel da imprensa local (alguns jornais desconhecidos de muitas pessoas, como o Ecos de S. Pedro de Alva e O Progresso Lorvanense, é desenvolvido no livro e é traçada uma síntese da imprensa local em Penacova, no período de 1901 a 1937, estudo que não estava feito. Resumo que pode ser o embrião para uma história da imprensa local no século passado.
NE: Sendo António José de Almeida natural de Penacova, que lugar ocupa no livro?
Há um capítulo dedicado a esse aspecto, dado que considero que este Político e Estadista Penacovense foi, de facto, uma figura tutelar do republicanismo no nosso concelho e desempenhou, juntamente com o Jornal de Penacova, dirigido por Amândio dos Santos Cabral, um papel catalizador dos acontecimentos que antecederam 1910 e que se seguiram. O Partido Evolucionista, por si fundado, teve em Penacova muitos seguidores, mas desde muito cedo, a começar pelos tempos de estudante e activista republicano em Coimbra, a sua influência doutrinária se fez sentir em diversos momentos.
NE: Gostaríamos de saber como se estrutura o livro
DA: Penacova e a República na Imprensa Local tem cerca de 200 páginas. Apresenta algumas ilustrações, quer de paisagens de Penacova em 1909, quer de algumas figuras republicanas, dos cabeçalhos e páginas dos jornais da época e como já se referiu, do Auto de Aclamação. Em termos de capítulos destacaríamos: últimos anos da Monarquia: dinâmicas sociais e políticas; militância republicana e proclamação da República; transição e consolidação político-administrativa; afirmação republicana depois do 5 de Outubro; reflexos da questão religiosa; comemorações do 5 de Outubro; António José de Almeida – figura tutelar das movimentações republicanas em Penacova; algumas personalidades republicanas (membros da comissão republicana em 5 de Outubro, personalidades que ocuparam cargos de projecção nacional, alguns nomes ligados ao núcleo republicano do alto concelho e outros republicanos penacovenses). Ainda, um capítulo sobre a Imprensa Local, em especial o Jornal de Penacova, A Folha de Penacova, O Progresso Lorvanense, Ecos de S. Pedro d'Alva e A Voz de S. Pedro de Alva.
NE: A terminar, que mensagem gostaria de deixar?
DA: Considero que este trabalho, sendo um modesto contributo para a nossa história local, pode ser um ponto de partida e um desafio para que outras pessoas aprofundem estes temas. Também gostaria de recordar aqui algumas palavras do Prof. Doutor Reis Torgal quando no prefácio escreve: "… Fica assim esta obra a assinalar o Centenário da República. Só falta coroá-lo com a compra pelo Município, e utilização conveniente, da casa onde nasceu António José de Almeida, em Vale da Vinha. (…) Deve criar-se em Penacova uma casa que tenha como patrono o único Presidente da Primeira República a cumprir o mandato completo (…) Assinalará não propriamente um regime (…) mas os seus ideais mais significativos, a respublica, o amor à “coisa pública”, na qual todos nos devíamos rever, esquecendo interesses pessoais, de classe ou de grupo, ou, pelo menos, não os sobrepondo aos interesses nacionais."
* Publicado no Nova Esperança, edição relativa a NOV 2011

Escola Eletrão 2012 - J. F. Travanca do Mondego


Segunda-feira, 30 de Janeiro de 2012

Bombeiro de Penacova morre em despiste de automóvel

Gonçalo Xavier, 35 anos, tinha estado de serviço no quartel e regressava a casa ao início da madrugada quando ocorreu o acidente, em Casal de Santo Amaro
Um elemento dos Bombeiros Voluntários de Penacova perdeu a vida, ontem de madrugada, num acidente de viação, em Casal de Santo Amaro. Gonçalo Xavier, de 35 anos, seguia em direcção a casa, na localidade de Coiço, quando, por circunstâncias desconhecidas, se despistou por uma íngreme ribanceira, de onde o corpo viria a ser resgatado já depois da hora de almoço.
O acidente terá ocorrido pouco antes das 2h00 da madrugada, uma vez que o voluntário esteve de serviço até à 1h00 no quartel, de onde saiu vários minutos depois de o turno ter terminado, adiantou fonte da corporação. O despiste ocorreu na estrada que Gonçalo Xavier utilizava todos os dias, junto a uma curva apertada, numa subida, conforme apurámos no local.
A viatura imobilizou-se ao fundo da barreira, fortemente escarpada, a cerca de 200 metros da estrada, enquanto o corpo do bombeiro - ao que tudo indica - projectado do automóvel durante a queda, viria a ser encontrado a 60 metros. O alerta de que algo poderia ter acontecido com Gonçalo Xavier chegou ao quartel logo pelas 7h00. Depois de ligar insistentemente para o telemóvel do marido, sem sucesso, a esposa da vítima tentou, junto da corporação, apurar se tinham alguma informação.
De imediato, o comandante António Simões deu indicações para que se iniciassem buscas pelas zonas onde seria previsível Gonçalo Xavier passar naquela madrugada.
Numa primeira ronda pela estrada que liga Casal de Santo Amaro a Coiço, os bombeiros não se aperceberam de nada anormal, mas no regresso, marcas na estrada alertaram para a possibilidade de o Opel, que o malogrado bombeiro conduzia, se ter precipitado pela barreira abaixo.
Confirmado o pior cenário, desde logo perceptível pela presença do pára-choques numa zona ainda visível, iniciaram-se as operações de resgate do corpo que viriam apenas a terminar pelas 14h15. «Não foi nada fácil», adiantou ao Diário de Coimbra António Simões, realçando que houve necessidade de recorrer a uma equipa especial de resgate e salvamento, pertencente aos Voluntários de Penacova, que no dia em que a tragédia lhes bateu à porta, receberam apoio psicológico, tal como a família da vítima.
Bombeiro desde 2004, conforme adiantou o comandante António Simões, Gonçalo Xavier era casado, tinha uma filha menor, com cerca de 10/11 anos, e era motorista de veículos pesados de profissão.
O funeral realiza-se amanhã, às 15h00, do salão nobre dos Bombeiros de Penacova para o cemitério de Oliveira do Mondego.
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Domingo, 29 de Janeiro de 2012

Lampreia, ou se ama ou se odeia *

Quer pelo seu aspecto esotérico com uma boca circular que funciona como uma ventosa, quer por ostentar o título de "vampiro do mar" por parasitar tubarões, bacalhaus e alguns mamíferos marinhos para se alimentar do seu sangue, a lampreia não ganhará decerto o prémio Miss Simpatia do Universo Marinho. 

De facto, este pitéu sempre extremou posições em relação ao seu consumo. Se para os romanos era presença indispensável nos seus banquetes, já para os judeus ainda hoje é considerada um alimento proibido uma vez que não possui escamas. E a lampreia não possui escamas porque não é um peixe na verdadeira acepção da palavra, é um ciclóstomo. É inclusive do domínio comum dizer que não é carne nem peixe… É lampreia! E o mais interessante é que também do ponto de vista nutricional a lampreia tem uma composição muito própria que a coloca num limbo nutricional entre carne e peixe. Senão vejamos, a lampreia tem uma quantidade de gordura bastante assinalável (cerca de 15%) para um “peixe”, o que a equipararia a um peixe gordo como a sardinha e o salmão. Mas o mais interessante é que o perfil de saturação das suas gorduras a torna mais próxima da carne ao ter maior teor de ácidos gordos saturados do que polinsaturados, sendo no entanto os monoinsaturados a possuírem o maior destaque.

Esta flutuação nutricional entre peixe e carne faz igualmente com que a lampreia seja uma excelente fonte de zinco e ferro, este último ainda mais potenciado em preparações culinárias que utilizem o sangue, como o típico arroz de lampreia. De resto, o arroz de lampreia é um autêntico festim nutricional onde para além do ferro, abundam muitos outros nutrimentos e compostos antioxidantes resultantes dos maravilhosos condimentos que lhe possam ser adicionados como cebola, alho, azeite, vinho tinto ou vinho do Porto, noz-moscada, cravinho, pimenta entre outros. E já dizia o ditado popular “até Março para o patrão e em Abril para o criado”, o que é o mesmo que dizer que o início da época lampreia marca a melhor altura para a degustar.
A lampreia ocupa então um lugar muito distinto no nosso património gastronómico, estando longe de ser consensual quer quanto aos seus apreciadores quer quanto à sua composição nutricional. Lampreia é lampreia não se pode comparar com mais nada! 
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Professor Assistente Convidado da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto. Este artigo foi escrito com a colaboração do Dr. Mário Jorge Araújo (MIGRANET - CIIMAR/UP) - pedrocarvalho@fcna.up.pt

Sábado, 28 de Janeiro de 2012

A julgar pela proposta do novo Mapa Judiciário, Penacova deixará de ter Tribunal

O Governo prepara-se para apresentar a proposta de alteração do Mapa Judiciário. Nessa proposta, Penacova deixará de ser comarca e o tribunal será encerrado.
Com a nova reforma, os serviços hoje garantidos pelo tribunal, passarão a ser prestados no PAC (posto de atendimento ao cidadão), a funcionar nas instalações da câmara municipal e pelo julgado de paz, instalado no espaço anteriormente ocupado pela tesouraria da fazenda pública.
Os critérios que levaram à proposta de extinção apresentada, prendem-se com os valores, quer de movimento processual quer de população do nosso concelho os quais, segundo a conclusão a que chegaram os responsáveis pela elaboração do projeto, têm vindo a diminuir de forma substancial, nos últimos dez anos. Para além desse importante fator, existe um outro que terá pesado na decisão de extinguir a comarca, que tem a ver com a inexistência de instalações próprias do ministério da justiça, o que é de lamentar, uma vez que remonta ao tempo de Laborinho Lúcio, a intenção de se construir um edifício na Eirinha, que pudesse acolher o tribunal, as conservatórias e o cartório notarial, não se chegando a concretizar, muito por culpa do município da altura, que não promoveu suficientemente o necessário "andamento" do processo.
A ser assim, Penacova perde um tribunal e toda a dinâmica que ele gerava mas, em contrapartida, ganha um serviço reforçado de atendimento ao cidadão e um julgado de paz para dirimir as suas divergências legais. Contas feitas, o encerramento do tribunal judicial até poderá não ser assim tão prejudicial para Penacova. Com este, quase certo, encerramento do tribunal, e com o previsível encerramento do serviço de finanças,  Penacova deve reforçar o investimento noutras potencialidades, no sentido de preservar e valorizar o que de bom lhe vai restando.

Sexta-feira, 27 de Janeiro de 2012

Autarcas de Lorvão denunciam mau estado das estradas da freguesia

Os três elementos do executivo da Junta de Freguesia de Lorvão e o presidente da Assembleia de Freguesia emitiram ontem um documento onde denunciam o mau estado em que se encontram as estradas e arruamentos das localidades de S. Mamede, Aveleira e Roxo e estrada de ligação Aveleira/Roxo.
O documento é assinado pelo presidente da Junta de Freguesia, Mauro Carpinteiro (PSD), pelo secretário, Victor Santos Nogueira (PSD) e o tesoureiro, Manuel Veiga Tomé (CDU), assim como por Júlio Madeira da Fonseca (PSD), presidente da Assembleia de Freguesia.
De acordo com os autarcas, «desde Dezembro de 2009 que vimos alertando a Câmara Municipal de Penacova para o estado de degradação» daquelas vias, «afectadas pelas obras de saneamento e renovação da rede de águas levadas a cabo nessas localidades, até sensivelmente a Setembro de 2009».
Segundo o comunicado, «o município de Penacova comprometeu-se a proceder a obras de repavimentação das referidas vias até ao final 2010», mas «nada foi feito», pelo que «a Junta de freguesia de Lorvão intensificou os alertas, resultando no compromisso do senhor presidente da Câmara em que os referidos arruamentos estariam pavimentados até ao Verão de 2011».
«Certo é que, até ao momento, nada foi feito, tendo-se agravado as condições dos pavimentos e por consequência as condições de circulação dos cidadãos, que têm apresentado insistentes queixas», diz a missiva dos autarcas de Lorvão, considerando tratar-se de «uma situação a todos os títulos estranha e incompreensível, desde logo pelo facto de ter sido transmitido pela “Águas do Mondego” à nossa freguesia, por carta datada de 26/11/2010, que esta empresa acordou com o município o pagamento de 50% do valor da empreitada para pavimentação da estrada de ligação Aveleira/Roxo, ficando os restantes 50% a cargo do município, assim como o desenvolvimento do respectivo processo concursal».
Perante esta realidade, consideram que «a Câmara Municipal de Penacova tem demonstrado uma intolerável indiferença relativamente às condições de circulação de todas as pessoas que utilizam aquelas estradas, estando em causa a integridade das viaturas e a segurança dos utentes», frisando que «só podemos enquadrar esta atitude do município na existência de uma incapacidade intrínseca para resolver os problemas simples dos munícipes, demonstrando clara preferência pelas acções que granjeiam visibilidade pessoal e projecção política».
Em jeito de conclusão, os autarcas sustentam que «a falta de resposta a este problema é a prova de que este executivo municipal faz tábua rasa daquilo que se propõe e aprova em Orçamento anual e Grandes Opções do Plano.

II Passeio BTT - Os Trilhos do Mondego


Quinta-feira, 26 de Janeiro de 2012

Esperança no futuro apesar dos cortes na receita

Nova direcção dos Bombeiros de Penacova toma posse amanhã e mantém vários projectos, embora as receitas do transporte de doentes tenha caído para metade

Paulo Dias toma amanhã posse como novo presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Penacova, encabeçando uma direcção de continuidade, como o próprio reconhece, uma vez que já era vice-presidente.
«A direcção irá ser constituída, essencialmente pelos mesmos elementos, havendo a entrada de duas ou três pessoas para os órgãos sociais e passando o actual presidente da direcção, António Miranda, para a Assembleia- -Geral», explicou.
No que diz respeito ao futuro, revelou que se trata de «um projecto a três anos, com perspectivas de continuidade», mas adiantou a necessidade de serem feitas adaptações a uma realidade mais difícil do ponto de vista financeiro.
De acordo com Paulo Dias, «há necessidade de fazer alguns ajustamentos», no sentido em que uma das principais fontes de rendimento, o transporte de doentes não urgentes, «sofreu uma quebra de 50 por cento, que é preciso colmatar». «Era um dinheiro que usávamos para fazer investimentos e equilibrar as contas», garante, mostrando-se confi ante de que «a protecção civil não deverá sofrer os cortes que queriam fazer, até porque não é um mal menor, é um bem maior». Neste contexto, Paulo Dias diz “agarrar” o desafio com «optimismo e alguma esperança», e com vontade de encontrar novas fontes de rendimento, até porque «não podemos pensar que o município será sempre a tábua de salvação».
A prova de que a corporação não tem baixado os braços, apesar da crise, está na concretização, com recurso a candidaturas a fundos comunitários, de vários projectos e aquisição de equipamentos necessários ao eficiente socorro das populações e bens. À cabeça está a compra de um veículo de salvamento e desencarceramento pesado, uma aspiração antiga do corpo activo da corporação, tendo em conta ser imprescindível para o socorro a acidentes com camiões e autocarros, especialmente em vias nacionais e de grande tráfego, como o IP3 e o IC6. «Estamos em fase de contratualização e a viatura deve ser entregue ainda o primeiro trimestre», revelou Paulo Dias, explicando que se trata de um investimento de 310 mil euros, financiado pelo QREN em 175 mil euros e pela autarquia, que aprovou um subsídio de 83 mil euros.
O restante terá de ser suportado pelos bombeiros. No âmbito de uma candidatura ao POVT, estão a decorrer as obras de ampliação do quartel, num investimento de 175 mil euros, estando em fase inicial a remodelação de várias salas polivalentes, que recebem a fanfarra, por exemplo. Trata-se de uma empreitada de 65 mil euros, financiada pelo PRODER.
Como resultado das eleições de 17 de Dezembro, os órgãos sociais que amanhã tomam posse, têm poucas alterações, como explicou o novo presidente da direcção. Assim, o actual presidente da direcção, António Miranda, passa a presidir à Assembleia-Geral, tendo como vice José Carlos Almeida, e Luís Amaral e Adelino Alvarinhas Miguel, como 1.º e 2.º secretários. Na direcção, Paulo Dias terá António Almeida Soares, como vice-presidente. Maria Clara Mateus é empossada como tesoureira, e Paula Cristina da Silva e António Viseu como secretários. Artur Ferreira Tavares é vogal, assim como o comandante António Simões, que tem direito ao lugar por inerência do cargo. O Conselho Fiscal é presidido por Ivo Reis Teixeira, secundado por Arménio Jorge Manaia, tendo como relator Augusto Fernando Alvarinhas.
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Seed of science – Especial distingue realizador Daniel Pinheiro

Pelo seu documentário científico «Mondego», Daniel Pinheiro será distinguido com um «Seed of Science» especial. O jovem realizador concebeu este filme no âmbito do mestrado Wildlife Documentary Production, da Universidade de Salford (Inglaterra), onde teve possibilidade de aprender com importantes nomes do documentarismo científico britânico, nomeadamente da ‘escola BBC’ (BBC Natural HistoryUnit), como Paul Reddish, Neil Lucas e David Attenborough. “É uma honra para mim que o «Mondego», um documento audiovisual, seja também reconhecido pelo meio científico. Como jovem realizador de documentários de vida selvagem, este prémio é para mim um grande incentivo para continuar a produzir documentários de natureza em Portugal”, admite o autor.
«Mondego» foi classificado com “distinção” e, além de ser cinematograficamente apelativo é um singular documento científico sobre a fauna do Mondego e não só, visto abranger algumas espécies com uma cobertura nacional mais ampla. 
Daniel Pinheiro explicou que das duas paixões – o cinema e a biologia – esta veio primeiro. “Acabei por não seguir o curso de Biologia, mas sim o de Design de Comunicação e Multimédia, no Politécnico de Coimbra”, diz, mas o mestrado em Salford deu-lhe oportunidade de aprofundar esse gosto.
“O mestrado está muito bem estruturado. Metade das cadeiras são de biologia e comportamento animal, até porque a BBC é muito exigente a nível científico. A outra metade do curso debruçava-se sobre as questões técnicas como a produção e o guionismo”, explica.
Este mestrado, único na Europa, deu-lhe a oportunidade de aprender com personalidades como David Attenborough, cujas séries documentais, como  «Life on Earth», «The Living Planet» ou «The Trials of Life» são consideradas clássicos.
A ideia de fazer um filme sobre o Mondego já vinha de trás, até porque é natural da Anadia. “É interessante fazer um filme sobre um rio, pode-se explorar a ideia de viagem, as variedades de habitats e de espécies”, explica.
O trabalho exigiu quatro meses de pesquisa científica. Seguiram-se as filmagens com algumas atribulações, principalmente nos 15 dias na Serra da Estrela, nos quais se perdeu várias vezes, e mais dois meses para edição das imagens.
Actualmente, está por Portugal e pretende continuar. Este tipo de mercado, audiovisual nas áreas da Ciência e do Ambiente, “está em crescimento”, acredita.
Os prémios «Seeds of Science» serão entregues durante a V Gala da Ciência, que se realiza no próximo dia 26 de Maio na Figueira da Foz.
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Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2012

“Penacova apresenta os piores indicadores do distrito a nível económico e social”

“A QUESTÃO do hotel é de facto o nosso calcanhar de Aquiles”
Humberto Oliveira, presidente da Câmara, elege o desenvolvimento económico e o turismo como principais áreas de intervenção do seu executivo, considerando que somente dessa forma é possível criar emprego e inverter a tendência negativa que se verifica no concelho.


Qual o balanço que faz dos dois primeiros anos de mandato?
HUMBERTO OLIVEIRA (HO) Fui candidato à Câmara com duas premissas: a questão do desenvolvimento económico, uma vez que Penacova nunca teve grande preocupação com a problemática das empresas e, por outro lado, a questão do turismo. E essas têm sido, de alguma forma, as duas vertentes que o executivo tem, sistematicamente, tentado atacar. Neste momento assentamos a nossa aposta no desenvolvimento económico em dois parques empresariais. Temos já empresas instaladas e outras para realizarem escritura e, portanto, pretendemos transmitir a ideia de que Penacova pode ser um território amigo das empresas. Por outro lado, o turismo, que para nós é fundamental. Este ano, organizámos um primeiro colóquio sobre a temática, com o objectivo de colocar esse assunto na agenda do dia. A meu ver temos uma grande lacuna, que é a falta de alojamento na zona da sede do concelho. A questão do hotel, que se encontra encerrado, é de facto o nosso calcanhar de Aquiles. E, sinceramente, é um dos aspectos em que nestes dois anos já gostaria de ter resolvido.
DC E quais as razões que impedem o hotel de reabrir?
HO Tudo está relacionado com a dinâmica que conseguimos imprimir no território. E é esse o nosso principal trabalho. É verdade que têm aparecido parceiros interessados, mas eventualmente por este enquadramento macro económico quando chegamos a determinados pontos da negociação existe uma retracção. A Câmara detém 15 por cento da entidade proprietária do hotel e, portanto, temos ali uma participação e somos parte interessada no seu desenvolvimento.
DC Mas por exemplo, os moinhos da Serra da Atalhada estão parados. E poderiam ser um ópti mo chamariz para o turismo?
HO Nesse campo, o atraso deve-se se a uma indecisão da minha parte porque, sinceramente, não sei o caminho a seguir. Aquele espaço tem potencial, com os moinhos recuperados para alojamento e um restaurante de apoio, só que essa unidade está construída numa zona da REN e, portanto, é uma obra que está ilegal. Ou seja, a minha indecisão é faço o investimento ou dou prioridade à burocracia para desafectar aquilo da REN, num processo que poderá ser moroso, para depois iniciar um projecto com cabeça, tronco e membros.
DC Existe algum atraso em matérias que elegeu como prioritárias?
HO Temos pequenas situações onde queria estar mais adiantado, como pavimentações em estradas e outro tipo de pequenas obras. E, neste campo, temos de dizer que o principal entrave foi financeiro.
DC Tem projectos parados por falta de financiamento de outras entidades?
HO Sim. O saneamento sempre foi um assunto importante no concelho, uma vez que temos uma taxa de cobertura muito baixa. Fizemos alguns investimentos que, neste momento, estão dependentes da construção de ETAR por parte da Águas do Mondego. E isto quer dizer o quê?. Enquanto a Águas do Mondego não construir a ETAR, aquele investimento está ali, literalmente, enterrado, por que não está a servir a população e falamos de milhões de euros.
DC A requalificação do parque escolar de Penacova foi uma aposta pessoal?
HO A qualidade do ensino é fundamental e as autarquias têm um papel fundamental no seu desenvolvimento. A educação é, de facto, um elemento forte nos orçamentos dos municípios. O parque escolar é algo que está nas nossas preocupações, que resulta da Carta Educativa que está aprovada. Quando chegámos tínhamos o Centro Educativo de Penacova a ser construído, que já entrou em funcionamento no início do anterior ano lectivo e o documento previa ainda a construção de mais dois centros educativos (Lorvão e Aveleira). O de Lorvão já está adjudicado e o da Aveleira tem algumas especificidades que temos de estudar, nomeadamente a questão do número de alunos, mas depois de garantirmos o financiamento do de Lorvão avançaremos para o da Aveleira. Todavia, temos outra grande preocupação, que é o caso de São Pedro d Alva, onde existe uma escola até ao 3.º ciclo mas que começa a ficar no limiar do número de alunos que o Ministério da Educação exige.
DC As transferências do Poder Central diminuem de ano para ano mas as competências das autarquias estão a aumentar. Como se gere uma situação destas?
HO Este facto é um drama mas defendo que quem não tem dinheiro não tem vícios. Existe uma retracção das verbas mas o município continua a ter as suas responsabilidades na educação, na acção social e depois, obviamente, nos nossos projectos, porque foi para isso que fomos eleitos. O município de Penacova vai receber em 2012 menos 675 mil euros e se adicionar a isto um acréscimo de 600 mil euros que pagámos à Águas do Mondego, em 2010, do abastecimento em alta de água, factura essa que não existia para pagar em anos anteriores, falamos em 1 milhão e 200 mil euros. Com essas verbas já não tinha as pavimentações em atraso.
DC Actualmente quais são os principais problemas do concelho?
HO A questão do desenvolvimento económico. Penacova apresenta os piores indicadores do distrito a nível económico e social. E só vamos conseguir resolver essa questão com o emprego e isso só acontece com a fixação das empresas, porque são elas que geram riqueza. Todas as entidades são importantes, mas as empresas têm o seu papel determinante. A questão do abastecimento de água está resolvida mas a do saneamento não. Só atingimos 50 por cento da população e temos consciência de que não poderemos chegar aos 100 que não poderemos chegar aos 100 porque financeiramente é incomportável, visto que existem aldeias muito pequeninas. Finalmente a construção de um novo tribunal, uma vez que o actual não tem o mínimo de condições. Possivelmente estaremos a falar do pior tribunal do país. Temos uma solução com projecto concluído, apenas falta a aprovação do Ministério da Justiça numa obra de 150 mil euros.
DC O que é que a população pode esperar da autarquia nos próximos dois anos?
HO Queremos executar os projectos que temos em marcha, como a construção do Palácio da Justiça, a questão de Lorvão, com as obras do museu e recuperação do órgão e, finalmente, a transformação do Hospital Psiquiátrico de Lorvão em unidade de cuidados continuados. São obras da responsabilidade da Administração Central mas que temos de pressionar enquanto município.
DC Relativamente à reforma Administração Local qual a sua opinião e que interferência terá em Penacova?
HO Esquecendo o enquadramento político, em Penacova temos a seguinte realidade. De acordo com as regras estabelecidas o município perderá três freguesias, no entanto, temos a vantagem de serem próximas e junto a São Pedro d´ Alva, que será aquela que irá aglutinar essas freguesias. O que quero dizer com isto é que já existem relações próximas entre as populações. Por exemplo o limite de Travanca do Mondego é no limiar de São Pedro d´Alva. Admito que o compromisso com a “troika” é que balizou estas reformas.
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